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Fonte da Sabuga

 

 

Osberno (cruzado do séc. XII) dizia que as suas águas abrandavam a tosse,o Aquilégio (1726) atribui-a qualidades na cura de “diarreias biliosas”.Actualmente os utentes atribuem-lhe qualidades digestivas.

 

Trata-se de um Fontanário, urbanizado em finais do séc. XVIII, entre muros da Quinta do Saldanha. De planta quadrada aberta para o lado da estrada, com o frontão das bicas coroado pelas armas de Sintra com a data de 1757. No recanto esquerdo do frontão uma porta, de provável acesso à arca de água, no recanto direito uma portinhola quadrada. Ao longo das duas paredes laterais, bancos em pedra corridos. As três paredes foram cobertas a meia altura por painéis de azulejos, de fabricação industrial de meados do séc. XX, retirados numa recente intervenção (2005) que pretendeu repor a traça “romântica” do Fontanário.

 

Mencionada no Aquilégio (1726): “ Na vila de Sintra, comarca de Alenquer, há uma fonte a que chamam da Sabuga, cuja água, bebida em jejum, cura as diarreias biliosas, e precedidas de intemperanças quentes, no que há muitas experiências”

 

Fonte da Sabuga

 

Acciaiuoli (1944) repete a referência do Aquilégio. O mesmo autor no Relatório de Actividade da Inspecção de Águas referentes ao anos de 1943-46, dá-nos uma curiosa informação, fora dado alvará de exploração a 13 de Agosto de 1942 à empresa “Águas de Sintra, limitada” que comercializava estas águas em garrafões e garrafas, tendo vendido em 1946 de 111.177 litros.

 

Segundo o Arqueólogo Cardim Ribeiro, responsável pelo Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas, há referências à Fonte da Sabuga do séc. XII nas crónicas do cruzado Osberno. No séc. XIX destaque-se a referência feita numa carta de D.Fernando II (rei consorte), a agradecer a oferta de uma “carantonha” que fora bica da fonte da Sabuga, possivelmente da construção do séc. XVI, actualmente não localizada nem na Vila nem no Parque da Pena.

 

De facto, a sua qualidade milagreira ganhou-lhe o epíteto de «a mais cellebre» de entre todas as fontes de Sintra, e nela Sua Majestade, D. Luísa de Gusmão, deliciou-se «com a famosa água», em 1652.

Nos alvores do evo setecentista, a fonte foi «mandada fazer de novo» como o atestará uma epígrafe anotada por Almeida Jordam:

 

ESTA OBRA MANDOU FAZER

O SENADO DA CAMERA DESTA VILLA

SENDO PRESIDENTE DELLA O

DOUTOR MATHIAS FRANCO

FERREIRA NO ANNO DE M.DCC.IX.

 

Fonte da Sabuga

 

A célebre fonte, todavia, sofreu grandes estragos com o terrivel terramoto de 1 de Novembro de 1755, mas dois anos depois estava refeita, conforme o atesta a lápide aposta ao frontal:

 

ESTA OBRA MANDOV FAZER O SENADO

DA CAMARA DESTA VILA SENDO PRE

ZIDENTE O D.R MARCELINO IOZE DE PON

TES VIEIRA E O PROCURADOR ANTO RIB

DE CEQVEIRA RIBAFRIA ANNO 1757.

 

Em termos arquitectónicos, o prospecto do fontanário resultante da restauração pós-terramoto aproxima-se bastante do actual, permanecendo coroado por coruchéus alternados com frontões envoluteados de gosto barroco, abrindo-se, ao centro, a pedra de armas do município envolvida numa fina cercadura. Estão, também, documentados trabalhos de beneficiação em 1804 e em 1850. Mas, a última grande intervenção data já de 1956, quando se colocou o lambril de azulejos azuis e brancos com putti enquadrando aparato floral.

A 19 de Maio de 2004, teve lugar uma sessão Municipal de Esclarecimento sobre as obras então em curso na fonte da Sabuga. Esta reunião reivindicada pela Associação de Defesa do Património de Sintra, pretendia esclarecer dúvidas quanto às obras, sobretudo sobre a retirada dos painéis de azulejos que cobrem meia altura, das três paredes que define o espaço do átrio da fonte.

 

Fonte da Sabuga

 

O projecto de que é responsável o arqueólogo Cardim Ribeiro, pretende restituir ao fontanário o seu aspecto novecentista, o seja o "romântico" sintrense. Contemplando um levantamento arqueológico a nível de solo e da parte construída, sobretudo para a descoberta de estruturas anteriores existentes, possivelmente desde épocas medievais ao século XX, já que existem documentos que atestam a existência da fonte desde essa época. Para já sobre a estrutura do tanque novecentista, da reforma de 1850, foi descoberta uma outra do séc. XVI, a nível inferior, assim como dois períodos de calçadas, respectivamente do séc. XVI e XVIII.

 

O projecto será definido pelas estruturas que o trabalho arqueológico mostrar, respeitando sempre a parte monumental de construção pós terramoto, sobre uma outra reforma barroca. Em 1956 a fonte foi objecto de obras, nova calçada, nivelou o rego que ladeava o tanque, e as três paredes dos frontões foram cobertas por painéis de azulejos da Fábrica Santana em Lisboa, até pouco menos de metade da sua altura actualmente disponível.

 

Cardim Ribeiro defende que a monumentalidade do fontanário é pensada na perpendicularidade: " é feita para se olhar debaixo", o que a subida do nível do solo veio destruir, piorado com cobertura das paredes com azulejos industriais reforça essa leitura horizonte, destacada pelo exagero da sua decoração, retirando o sentido decorativo do coroamento dos frontões.

 

Fonte da Sabuga